Aos olhos de Alice, que as vezes se arreglavam, era um lugar tenebroso e atraente, embora as expressões vis seguissem traçando sua imagem. Tenebroso por ser sombrio, atraente pelo neon azul e vermelho que havia por toda a parte. As pessoas que estavam ali (e eram muitas) hora o repugnava, hora o seduzia. Parecia ter entrado num mundo de gigantes bêbados. Homens e mulheres, jovens que riam alto, flertavam, jogavam baralho, bilhar, faziam suas apostas e não tinham perspectiva.
Houve um choque, mas não sabia-se destinguir se isso era bom ou ruim para o menino. De uma forma ou outra, mais uma vez Alice ficou inerte em função daquele homem, e isso o atraia e instigava acada minuto um pouco mais.
Depois de alguns instantes surgiu a ideia de procurá-lo, mas antes que Alice pudesse por emprática a tal ideia, dois garotos de uma alma só o atacaram.
- "O que queres menino? É proibida a sua entrada aqui!"
Os dois falavam juntos, gesticulavam juntos, respiravam juntos. Um era reflexo do outro, como num espelho. Eram irmãos gêmeos. Os olhos de Alice se arregalaram como nunca antes, a sombrancelha parecia querer entrar por debaixo dos cabelos.
Mas respondeu, meio aflito:
- "Eu tenho um cartão e gostaria de ver este homem."
Alice mostra-lhes o cartão. Eles olham-se entre si, depois se aproximam do garoto, estão os três praticamente face a face.
Ameaçadores, eles lhe disseram:
- "Você... passe aqui!"
Cada gêmeo segurava uma das mãos de Alice e os três se foram sala a fora.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Alice nº 2
A paz cotidiana via ondas longitudinais penetrava seus ossos vagarosamente, mas, por um breve instante, houve uma insatisfação quase inconsciente do menino para com a situação. Haviam sons, mas não haviam imagens, e num sobressalto ele se deparou com a ganância de sua vida.
De um táxi que recém estacionara saiu apressado um homem alto, bonito, com camisa, colete e um ar quase intemperante. Esbarraram-se, ele e o menino, e sua maleta veio aos pés do Alice. O homem juntou a maleta, pediu desculpas e seguiu seu trajeto. E Alice ficou inerte, pois a inquietude das imagens insatisfatórias acabou ali, quase no mesmo instante em que apareceu.
Junto a maleta havia caido um cartão com o nome e o endereço do tal homem, um cartão esquisitíssimo por sinal. Alice tomou-o em mãos, leu e decidiu seguir o homem.
Duas quadras e tamanha a surpresa do menino vendo tal porte entrar numa enorme lata de lixo de beco e fechar a tampa. Embora assustado, talvez até com medo de um suposto insano, a curiosidade dele era tanta que resolveu abrir a tampa do lixo e perguntar o que aquele homem tinha na cabeça.
A tampa foi aberta, mas o homem havia desaparecido.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Alice n° 1
Certain Street, 14:32, uma velha mania de caminhar ao longo daquela rua. A rua em que se encontra diariamente "depositada" a quase inerte Frota-Tiê. Trinta e oito carros sintonizados na única rádio da cidade, que deliberadamente anunciava uma série de coisas nada importantes pra ele.
Alice ouvia todos os dias as músicas, propagandas, anúncios e tudo o mais que acontecia na rádio. Mas não simplesmente ouvia, pois isso faria em casa, ele ouvia a rádio com falhas periódicas. E um grande, complexo e suave prazer lhe era concedido aos ouvidos quando ouvia o som abafado dos auto-falantes dos táxis, interrompidos por passos dados em uma vaga onde carro nenhum estava estacionado, lhe permitindo sorver ondas sonoras como uma erupção de sensações maravilhosas.
Não eram simples buzinas, ruídos, meados de conversas alheias, gorjeio de pombas, coisas fúteis. Cada som lhe trazia paz de uma forma grandiosa e única, e por isso, naquela rua, ele caminhava todos os dias.
Alice ouvia todos os dias as músicas, propagandas, anúncios e tudo o mais que acontecia na rádio. Mas não simplesmente ouvia, pois isso faria em casa, ele ouvia a rádio com falhas periódicas. E um grande, complexo e suave prazer lhe era concedido aos ouvidos quando ouvia o som abafado dos auto-falantes dos táxis, interrompidos por passos dados em uma vaga onde carro nenhum estava estacionado, lhe permitindo sorver ondas sonoras como uma erupção de sensações maravilhosas.
Não eram simples buzinas, ruídos, meados de conversas alheias, gorjeio de pombas, coisas fúteis. Cada som lhe trazia paz de uma forma grandiosa e única, e por isso, naquela rua, ele caminhava todos os dias.
domingo, 16 de novembro de 2008
Se se vive sonhando, não se vive.
A conquista palpável, saborosíssima, nas mãos, é tão incrível, que um sonho, mero sonho, por mais gostoso que seja, jamais transporia a sensação física de, por exemplo, comprar e dirigir um carro. Sonhar é ótimo, qual quer pessoa já se pegou sonhando acordado ao menos uma vez, mas sonhar é fácil demais. Qual quer um pode sonhar tudo, qual quer um pode sonhar com um beijo, no entanto, conquistar e principalmente beijar, sem dúvida nenhuma, é imensuravelmente mais prazeroso que um sonho.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Outro Platônico
ele é do tipo que não faz ar nenhum
não quer chamar a atenção, mas tem um charme inenarrável
tem a pele alva, da cor dos envergonhados
e os olhos maudosos porém doces
eu sonho em deixar rosadas aquelas brancas faces
com uma meia dúzia de besteiras sussurradas no ouvido dele
e olhar bem de pertinho seus olhos venenosos, generosos
brilhantes ao me ter por perto, exprimindo o aconchego que te proporcionaria
ah, se te pego
lambo teu corpo e me deleito na tua barba
me perco na tua pele e pêlos entre tuas pernas
e sinto a pontinha do teu nariz tocar minha nuca
o dono da forma mais graciosa e delicada que já vi
ofegando em meu pescoço, como se urrasse de prazer singelamente
não quer chamar a atenção, mas tem um charme inenarrável
tem a pele alva, da cor dos envergonhados
e os olhos maudosos porém doces
eu sonho em deixar rosadas aquelas brancas faces
com uma meia dúzia de besteiras sussurradas no ouvido dele
e olhar bem de pertinho seus olhos venenosos, generosos
brilhantes ao me ter por perto, exprimindo o aconchego que te proporcionaria
ah, se te pego
lambo teu corpo e me deleito na tua barba
me perco na tua pele e pêlos entre tuas pernas
e sinto a pontinha do teu nariz tocar minha nuca
o dono da forma mais graciosa e delicada que já vi
ofegando em meu pescoço, como se urrasse de prazer singelamente
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