sexta-feira, 13 de março de 2009

Culinária

A cada dia, vejo mais atrocidades num ambiente de corpos ardentes efusivos, onde, regados a "Britney Spears" e"Gaiola das Popozudas", as pessoas têm o cérebro cozido...

Atenção para a receita!

Ingredientes:
- 1/2 xícara de pseudoamor
- 3 colheres (sopa) de má educação
- 3 colheres de falta de respeito consigo
- 2 de descontrole em relção à competitividade
- 2L de álcool
- 1,5 Kg de cérebro (2% utilizado)
- Pobreza de espírito e cultura à gosto

Modo de preparo:
- Misture álcool com o cérebro, pois assim ele fica mais propício a absorção dos demais ingredientes.
- Adicione pseudoamor junto com a falta de respeito, ambos encontram-se facilmente em uma relação adolescente conturbada onde os jovens se amam muito, de um jeito torrido e descompensado mesmo sem conhecer direito avida, a pessoa ou o amor incondicional.
- Adicione o descontrole e mexa bem, até adquirir consistencia.

Nessa etapa do processo começam a acontecer reações entre os ingredientes do nosso cozido, resultando em: destruição ambiental, suicidios, envolvimento com drogas e tráfico, prostituição e corrupção.

- Escoe o álcool e depois de pronto o cozido, tempere com pobreza de espírito e cultura à vontade, pra dar um gostinho acentuado ao prato.

Rende 170 milhões de pratos.

Pode ser servido quente ou frio, dependendo da região e dos fatores de clima no ambiente (clima tenso: prato frio, clima alegre: prato quente).

Tenha um bom apetite, ou vá pra Europa.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Alice n° 3

Aos olhos de Alice, que as vezes se arreglavam, era um lugar tenebroso e atraente, embora as expressões vis seguissem traçando sua imagem. Tenebroso por ser sombrio, atraente pelo neon azul e vermelho que havia por toda a parte. As pessoas que estavam ali (e eram muitas) hora o repugnava, hora o seduzia. Parecia ter entrado num mundo de gigantes bêbados. Homens e mulheres, jovens que riam alto, flertavam, jogavam baralho, bilhar, faziam suas apostas e não tinham perspectiva.

Houve um choque, mas não sabia-se destinguir se isso era bom ou ruim para o menino. De uma forma ou outra, mais uma vez Alice ficou inerte em função daquele homem, e isso o atraia e instigava acada minuto um pouco mais.

Depois de alguns instantes surgiu a ideia de procurá-lo, mas antes que Alice pudesse por emprática a tal ideia, dois garotos de uma alma só o atacaram.

- "O que queres menino? É proibida a sua entrada aqui!"

Os dois falavam juntos, gesticulavam juntos, respiravam juntos. Um era reflexo do outro, como num espelho. Eram irmãos gêmeos. Os olhos de Alice se arregalaram como nunca antes, a sombrancelha parecia querer entrar por debaixo dos cabelos.

Mas respondeu, meio aflito:

- "Eu tenho um cartão e gostaria de ver este homem."

Alice mostra-lhes o cartão. Eles olham-se entre si, depois se aproximam do garoto, estão os três praticamente face a face.

Ameaçadores, eles lhe disseram:

- "Você... passe aqui!"

Cada gêmeo segurava uma das mãos de Alice e os três se foram sala a fora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alice nº 2


A paz cotidiana via ondas longitudinais penetrava seus ossos vagarosamente, mas, por um breve instante, houve uma insatisfação quase inconsciente do menino para com a situação. Haviam sons, mas não haviam imagens, e num sobressalto ele se deparou com a ganância de sua vida.

De um táxi que recém estacionara saiu apressado um homem alto, bonito, com camisa, colete e um ar quase intemperante. Esbarraram-se, ele e o menino, e sua maleta veio aos pés do Alice. O homem juntou a maleta, pediu desculpas e seguiu seu trajeto. E Alice ficou inerte, pois a inquietude das imagens insatisfatórias acabou ali, quase no mesmo instante em que apareceu.

Junto a maleta havia caido um cartão com o nome e o endereço do tal homem, um cartão esquisitíssimo por sinal. Alice tomou-o em mãos, leu e decidiu seguir o homem.

Duas quadras e tamanha a surpresa do menino vendo tal porte entrar numa enorme lata de lixo de beco e fechar a tampa. Embora assustado, talvez até com medo de um suposto insano, a curiosidade dele era tanta que resolveu abrir a tampa do lixo e perguntar o que aquele homem tinha na cabeça.

A tampa foi aberta, mas o homem havia desaparecido.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Alice n° 1

Certain Street, 14:32, uma velha mania de caminhar ao longo daquela rua. A rua em que se encontra diariamente "depositada" a quase inerte Frota-Tiê. Trinta e oito carros sintonizados na única rádio da cidade, que deliberadamente anunciava uma série de coisas nada importantes pra ele.

Alice ouvia todos os dias as músicas, propagandas, anúncios e tudo o mais que acontecia na rádio. Mas não simplesmente ouvia, pois isso faria em casa, ele ouvia a rádio com falhas periódicas. E um grande, complexo e suave prazer lhe era concedido aos ouvidos quando ouvia o som abafado dos auto-falantes dos táxis, interrompidos por passos dados em uma vaga onde carro nenhum estava estacionado, lhe permitindo sorver ondas sonoras como uma erupção de sensações maravilhosas.

Não eram simples buzinas, ruídos, meados de conversas alheias, gorjeio de pombas, coisas fúteis. Cada som lhe trazia paz de uma forma grandiosa e única, e por isso, naquela rua, ele caminhava todos os dias.

domingo, 16 de novembro de 2008

Se se vive sonhando, não se vive.

A conquista palpável, saborosíssima, nas mãos, é tão incrível, que um sonho, mero sonho, por mais gostoso que seja, jamais transporia a sensação física de, por exemplo, comprar e dirigir um carro. Sonhar é ótimo, qual quer pessoa já se pegou sonhando acordado ao menos uma vez, mas sonhar é fácil demais. Qual quer um pode sonhar tudo, qual quer um pode sonhar com um beijo, no entanto, conquistar e principalmente beijar, sem dúvida nenhuma, é imensuravelmente mais prazeroso que um sonho.