sábado, 24 de outubro de 2009

Sopas Campbell


Em 1962, Andy expôs suas sopas Campbell numa galeria em Los Angeles. Apresentou 32 latas idênticas, e pintadas com um tal realismo que pareciam fotografias; Foi uma exposição que deixou a todos atônitos; Naquele momento, essas obras eram vistas como algo muito estranho e todos se perguntavam por que o artista fazia isso.

Parecia muito banal, mas as sopas de Warhol adquirem um significado demasiadamente forte se levarmos em conta que, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos mostravam os artistas como mero sinal de tolerância do país comparado à União Soviética, que tinha instaurado um duro dirigismo cultural com o realismo socialista, controlando os artistas e proibindo os temas que não estivessem a serviço da ideologia e propaganda do Estado.

Com essa manobra política, as obras chegaram às cotas mais altas do cenário artístico e a situação repressiva deste período histórico não foi capaz de calar a crítica e a expressividade artística, que a partir de então – essa exposição inaugurou a Pop Art – tinha essa nova forma de se expressar.

Além da popularidade da sopa, e desse novo recurso para expressar-se, a obra sugere também a representação de uma sociedade que não tinha mais tempo senão para consumir comida rápida, devido à modernidade que faz parte do cotidiano nas metrópoles. E ainda foi entendida pelos artistas expressionistas como uma forma de profanação dos conteúdos espirituais da sua arte.

As sopas de Warhol surtiram tanta inquietação que dês de então elas tornaram-se o novo ícone da cultura americana na época. Sem contar que a partir desta exposição surgiu uma vanguarda artística de extrema relevância, a Pop Art.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Maldito Vazante

Estruturas poligonais da moral
Tão cheias de vértices
Fazem-te Expelir-me
Como lágrimas de Não-olhos
Gota a Gota, em punhais invertidos

Logo escorro vulcanizado
Exprimindo esse teu pavor
Exprimindo essa tua angústia (por "saia-justa")

Mas e quanto a mim?

O que me acontece depois que pingo da ponta dos teus dedos?
Sobra-me somente despencar macio no chão?
Devo cair em silêncio, como se nada tivesse acontecido?
Tenho de sucumbir ao mero papel de tua expressão?

Diga-me! Tenho?

Quem sou eu então, se me jogas fora
Como quem nunca foi fincado pungentemente pelo imperativo categórico deste tal de Kant?

Caso me respondas "meu suor", me enfio no teu olho pra que mudes de ideia!

domingo, 6 de setembro de 2009

Flor de Amora

metade de mim enterrou-se
e a outra metade chora
o coração se apavora
preso no limbo vazio

palpitações eu alforrio
para meu coração agora
que atordoado te implora
me volta, te peço, meu doce

faz disso como se tudo fosse
um pesadelo que afervora
porque, sim, ele te adora

volta com o rancor que trouxe
mas volta como quem aflora
amarga e doce flor de amora

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Alice n° 5

Aquele corredor já parecia não ter fim, Alice beirava a ansia de vômito, pois parecia uma viagem longa em linha reta.
Depois de um percurso quase tedioso, e assim não era somente por que o ponto final era desconhecido para Alice, os tres rapazes entraram numa sala. Essa sala parecia mais um banheiro público, tinha azulejos brancos, várias pias com torneiras douradas e um espelho por pia, mas na outra parede havia uma paisagem colorida, bizarra, com vários desenhos desfigurados, que parecia demasiada real. Tinha um gramado, árvores, borboletas, cogumelos, no chão havia grama de um lado, azulejos do outro e no meio a grama parecia entrar pelos vinquinhos dos azulejos.
Os gêmeos lavaram as mãos com água e começaram a passá-las na parede, cuja deveras tinha a tinta seca, mas embaralhou suas cores todas com a ação das mãos dos meninos, como se estivessem num enorme balde ou piscina. Os movimentos de Dee e Dum continuavam impecavelmente iguais como se aquela cena tivesse sido ensaiada e reensaiada diversas vezes.
A paisagem se desfigurava mais a cada minuto, tomando cores bem escuras no ambiente como um todo, mas mantendo duas manchas coloridas isoladas na escuridão. Aos poucos as tintas foram adquirindo certa tridimensionalidade e forma de uma mesa e uma porta.
As vistas de Alice embaralhavam-se, embaçavam-se, como se tivessem muita dificuldade em assimilar as surreais imagens postas na sua frente, mas ao passo em que a mesa e a porta tornavam-se palpáveis e concretas elas puderam voltar a mostrar as coisas como realmente eram, embora a realidade ali presente fosse tão distante da realidade convencional de uma cidade quase grande a qual Alice costumava ver diariamente.

-Ei garoto, - disseram os gêmeos com tom ameaçador - você tem mesmo certeza que quer o Coelho?
-Ora, parem de me assustar! - disse ingênuo - O que tem demais em querer conhecer uma pessoa?
-Pois você é ralmente patético menino! - responderam-lhe com a expressão nos rostos carregadas de despreso.

Juntos, como sempre, sairam pela mesma porta por onde entraram sem dar a menor orientação para o menino, que ficou atônito. Alice deu uma olhada no ambiente, que subtamente mudou do branco reluzente dos azulejos pro negro profundo das paredes e antes que pudesse reparar nas pequenas e escassas mudinhas de grama no chão ouviu uma voz confortante.

-Olá? Tem alguem aí? Tem alguém atrás da porta?
-Tem! - respondeu Alice, com pressa.
-Então abra pra mim!

E lembrando dos conselhos dos gêmeos disse:

-E por que eu deveria?
-Por que eu sou o portal, ora essa!!!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Alice n°4

Ao cruzar a sala de mãos com os rapazes, o coração de Alice batia rápido, tanto que doía, uma dor de medo, aflição e também por que eles praticamente corriam levando-o a um lugar que ele sequer sabia onde era.

-somos Dee e Dum!
-sou Alice.
-quer mesmo encontrar o Coelho?
-sim.
-tenha cuidado.
-por que?

Os garotos ficaram em silêncio por um instante, logo vieram com uma estória estranha.

'Havia uma morsa e um carpinteiro
que estavam famintos o dia inteiro
entraram no lago do parque central
e tinham um plano muito mau

a água batia pela cintura
o rosto expressava ternura
no fundo haviam ostras curiosas
que não conheciam ideias maldosas

a morsa lhes deu uma bela proposta
as ostras babacas se foram dispostas
a mosra tomou-as em sua mesa
cuja o carpinteiro lhe fez com frieza

a proposta dizia "jantar pra vocês"
mas ninguém sabia o prato da vez
agora era tarde pra poder fugir
as ostras babacas se foram dormir

a morsa comeu que encheu a barriga
as ostras no fim que perderam a vida
por ser curiosas se deram mal
cuidado você com o seu bilau'

-que coisa sem pé nem cabeça!
-bobinho!
-tudo bem..
(silêncio)
-ah, Você conhece "A Bebida"?
-não.
-pois pra encontrar o senhor Coelho só bebendo.
-mesmo?
-mesmo!
-não quero.
(soltam-se as mãos)
-pois tu nos faz perder tempo.
-que bebida é essa?
-nenhuma, é "A Bebida", e não qual quer. entende?
-o que ela tem de mais?
-ela é demais!
-por que?
-nós três diminuimos e vamos atras dele.
-diminuimos?
-sim! "A Bebida" diminui tudo e só assim podemos passar pelo portal.
-que doidera é essa!? temos que passar por um portal pra encontrar o cara?
-pare de perguntar e caminhe mais rápido!