quinta-feira, 18 de junho de 2009

Alice n°4

Ao cruzar a sala de mãos com os rapazes, o coração de Alice batia rápido, tanto que doía, uma dor de medo, aflição e também por que eles praticamente corriam levando-o a um lugar que ele sequer sabia onde era.

-somos Dee e Dum!
-sou Alice.
-quer mesmo encontrar o Coelho?
-sim.
-tenha cuidado.
-por que?

Os garotos ficaram em silêncio por um instante, logo vieram com uma estória estranha.

'Havia uma morsa e um carpinteiro
que estavam famintos o dia inteiro
entraram no lago do parque central
e tinham um plano muito mau

a água batia pela cintura
o rosto expressava ternura
no fundo haviam ostras curiosas
que não conheciam ideias maldosas

a morsa lhes deu uma bela proposta
as ostras babacas se foram dispostas
a mosra tomou-as em sua mesa
cuja o carpinteiro lhe fez com frieza

a proposta dizia "jantar pra vocês"
mas ninguém sabia o prato da vez
agora era tarde pra poder fugir
as ostras babacas se foram dormir

a morsa comeu que encheu a barriga
as ostras no fim que perderam a vida
por ser curiosas se deram mal
cuidado você com o seu bilau'

-que coisa sem pé nem cabeça!
-bobinho!
-tudo bem..
(silêncio)
-ah, Você conhece "A Bebida"?
-não.
-pois pra encontrar o senhor Coelho só bebendo.
-mesmo?
-mesmo!
-não quero.
(soltam-se as mãos)
-pois tu nos faz perder tempo.
-que bebida é essa?
-nenhuma, é "A Bebida", e não qual quer. entende?
-o que ela tem de mais?
-ela é demais!
-por que?
-nós três diminuimos e vamos atras dele.
-diminuimos?
-sim! "A Bebida" diminui tudo e só assim podemos passar pelo portal.
-que doidera é essa!? temos que passar por um portal pra encontrar o cara?
-pare de perguntar e caminhe mais rápido!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Culinária

A cada dia, vejo mais atrocidades num ambiente de corpos ardentes efusivos, onde, regados a "Britney Spears" e"Gaiola das Popozudas", as pessoas têm o cérebro cozido...

Atenção para a receita!

Ingredientes:
- 1/2 xícara de pseudoamor
- 3 colheres (sopa) de má educação
- 3 colheres de falta de respeito consigo
- 2 de descontrole em relção à competitividade
- 2L de álcool
- 1,5 Kg de cérebro (2% utilizado)
- Pobreza de espírito e cultura à gosto

Modo de preparo:
- Misture álcool com o cérebro, pois assim ele fica mais propício a absorção dos demais ingredientes.
- Adicione pseudoamor junto com a falta de respeito, ambos encontram-se facilmente em uma relação adolescente conturbada onde os jovens se amam muito, de um jeito torrido e descompensado mesmo sem conhecer direito avida, a pessoa ou o amor incondicional.
- Adicione o descontrole e mexa bem, até adquirir consistencia.

Nessa etapa do processo começam a acontecer reações entre os ingredientes do nosso cozido, resultando em: destruição ambiental, suicidios, envolvimento com drogas e tráfico, prostituição e corrupção.

- Escoe o álcool e depois de pronto o cozido, tempere com pobreza de espírito e cultura à vontade, pra dar um gostinho acentuado ao prato.

Rende 170 milhões de pratos.

Pode ser servido quente ou frio, dependendo da região e dos fatores de clima no ambiente (clima tenso: prato frio, clima alegre: prato quente).

Tenha um bom apetite, ou vá pra Europa.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Alice n° 3

Aos olhos de Alice, que as vezes se arreglavam, era um lugar tenebroso e atraente, embora as expressões vis seguissem traçando sua imagem. Tenebroso por ser sombrio, atraente pelo neon azul e vermelho que havia por toda a parte. As pessoas que estavam ali (e eram muitas) hora o repugnava, hora o seduzia. Parecia ter entrado num mundo de gigantes bêbados. Homens e mulheres, jovens que riam alto, flertavam, jogavam baralho, bilhar, faziam suas apostas e não tinham perspectiva.

Houve um choque, mas não sabia-se destinguir se isso era bom ou ruim para o menino. De uma forma ou outra, mais uma vez Alice ficou inerte em função daquele homem, e isso o atraia e instigava acada minuto um pouco mais.

Depois de alguns instantes surgiu a ideia de procurá-lo, mas antes que Alice pudesse por emprática a tal ideia, dois garotos de uma alma só o atacaram.

- "O que queres menino? É proibida a sua entrada aqui!"

Os dois falavam juntos, gesticulavam juntos, respiravam juntos. Um era reflexo do outro, como num espelho. Eram irmãos gêmeos. Os olhos de Alice se arregalaram como nunca antes, a sombrancelha parecia querer entrar por debaixo dos cabelos.

Mas respondeu, meio aflito:

- "Eu tenho um cartão e gostaria de ver este homem."

Alice mostra-lhes o cartão. Eles olham-se entre si, depois se aproximam do garoto, estão os três praticamente face a face.

Ameaçadores, eles lhe disseram:

- "Você... passe aqui!"

Cada gêmeo segurava uma das mãos de Alice e os três se foram sala a fora.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alice nº 2


A paz cotidiana via ondas longitudinais penetrava seus ossos vagarosamente, mas, por um breve instante, houve uma insatisfação quase inconsciente do menino para com a situação. Haviam sons, mas não haviam imagens, e num sobressalto ele se deparou com a ganância de sua vida.

De um táxi que recém estacionara saiu apressado um homem alto, bonito, com camisa, colete e um ar quase intemperante. Esbarraram-se, ele e o menino, e sua maleta veio aos pés do Alice. O homem juntou a maleta, pediu desculpas e seguiu seu trajeto. E Alice ficou inerte, pois a inquietude das imagens insatisfatórias acabou ali, quase no mesmo instante em que apareceu.

Junto a maleta havia caido um cartão com o nome e o endereço do tal homem, um cartão esquisitíssimo por sinal. Alice tomou-o em mãos, leu e decidiu seguir o homem.

Duas quadras e tamanha a surpresa do menino vendo tal porte entrar numa enorme lata de lixo de beco e fechar a tampa. Embora assustado, talvez até com medo de um suposto insano, a curiosidade dele era tanta que resolveu abrir a tampa do lixo e perguntar o que aquele homem tinha na cabeça.

A tampa foi aberta, mas o homem havia desaparecido.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Alice n° 1

Certain Street, 14:32, uma velha mania de caminhar ao longo daquela rua. A rua em que se encontra diariamente "depositada" a quase inerte Frota-Tiê. Trinta e oito carros sintonizados na única rádio da cidade, que deliberadamente anunciava uma série de coisas nada importantes pra ele.

Alice ouvia todos os dias as músicas, propagandas, anúncios e tudo o mais que acontecia na rádio. Mas não simplesmente ouvia, pois isso faria em casa, ele ouvia a rádio com falhas periódicas. E um grande, complexo e suave prazer lhe era concedido aos ouvidos quando ouvia o som abafado dos auto-falantes dos táxis, interrompidos por passos dados em uma vaga onde carro nenhum estava estacionado, lhe permitindo sorver ondas sonoras como uma erupção de sensações maravilhosas.

Não eram simples buzinas, ruídos, meados de conversas alheias, gorjeio de pombas, coisas fúteis. Cada som lhe trazia paz de uma forma grandiosa e única, e por isso, naquela rua, ele caminhava todos os dias.